Faixa a Faixa – Luan Santana: “1977”
09/11/2016

Após ouvir por diversas vezes o novo álbum do Luan, “1977”, e assistir ao DVD completo no cinema, resolvi escrever um review do mesmo.

Igualmente no CD/DVD “Acústico” (2015), este novo disco traz toda uma concepção. Se anteriormente o cantor reuniu influências do movimento pop art, dos anos 50/60, neste novo disco ele avança quase 20 anos e chega a 1977, ano em que a ONU proclamou o Dia Internacional da Mulher. Aproveitando a ascensão das mulheres no sertanejo, o cantor as homenageia com este belo projeto.

Com 12 faixas, sendo 6 participações especiais, “1977” é praticamente todo romântico – apesar de conter algumas canções dançantes, que falam de amor. A faixa de abertura, e carro-chefe do disco, “Dia, Lugar e Hora” (Luan Santana / Douglas Cézar), mostra o cantor completamente pop. Cheguei a pensar que o álbum seria apenas nessa vibe, bem distanciado do bom e velho sertanejo. Mas, pra felicidade de muita gente (e minha, inclusive), não foi isso que rolou. Luan gravou algumas vaneiras, valorizando muito sua essência sul-mato-grossense. Com certeza Dudu Borges – que também é de Campo Grande – produtor musical do disco, e compositor de algumas faixas, também influenciou nesta escolha por gravar canções mais próximas de nós (sertanejos).

O disco continua com “Primeira Semana”, autoria do Filipe Escandurras. É uma bachata, que se mistura com uma sanfona muito bem tocada. Pelo que entendi, essa canção entrou no DVD aos 48 do segundo tempo – as imagens foram captadas em outro local, e não no mesmo cenário das outras 11 faixas.

A faixa 03 é um dos maiores hits do projeto: “Eu, você, o mar e ela” (Luan Santana / Douglas Cézar / Dudu Borges), que vocês já conhecem. É a primeira das várias vaneiras do álbum.

Entrando nas participações especiais, o start é com a Ivete Sangalo. Já é a terceira vez que eles dividem, oficialmente, uma canção. Em 2011, “Química do Amor” (Allejandro / Marquinhos Maraial); e em 2016, “Zero a Dez” (Filipe Escandurras / Gabriel Cantini / Diogo de Paulo / Gigi / Rodrigo Melim) que está no DVD da Ivete, e, por fim, “Estaca Zero” (Breno / Caio César / Vinny Peres / Diego Monteiro / Márcia Araújo) que é mais uma boa vaneira de “1977”. Genial esse lance da música ser produzida totalmente pra cima/agitada, bem no clima da Ivete, e ainda conseguir abordar questões amorosas.

Na canção mais “meiga” do disco, Luan canta com a Sandy: “Mesmo sem estar”. É um pop sofrido, onde a participação especial casou muito bem. Canção belíssima, por sinal.

Foto: Manuela Scarpa / Brazil News

Luan e Sandy cantam juntos (Foto: Manuela Scarpa / Brazil News)

Marília Mendonça, única participação, de fato, sertaneja, cantou em “Fantasma”, autoria do Matheus Aleixo (da dupla com o Kauan). É um bolero, amigos. Luan Santana e Marília dividiram um bolero. O vídeo já está no YouTube, inclusive. Uma das melhores (se não a melhor) do repertório.

O álbum continua com “Acordando o Prédio”, outra autoria de Douglas Cézar, e outra vaneira das boas. Na sequencia, Anitta divide com Luan a romântica “RG” (Luan Santana / Matheus Aleixo / Rafael Torres / Felipe Oliver). Outra faixa que traz uma história amorosa bem maneira.

A canção de número 09 é minha preferida do álbum (pelo menos até o momento). Ana Carolina e Luan Santana dividem, não só a canção, mas a autoria da mesma. A moda se chama “Planos da Meia Noite”. Além de ser a cara da Ana, as vozes em dueto se encaixaram muito bem. Pode ser que isso mude após ouvir mais algumas vezes o disco, mas até o momento é a que mais me agradou.

Outra que está no meu top 3 do álbum, é a faixa 10, “KM 70”. É um batidão pra lá de agitado. Mais uma vez aquele lance das influências regionalistas, com o Anderson Nogueira, “Rei do Batidão”, e ex-baterista do Grupo Tradição (na fase boa), “destruindo” na batera. A composição é do Luan com o menino de ouro Marco Carvalho, que anteriormente compôs “Café com Leite”, a melhor faixa do DVD “Acústico”, de 2015.

A única regravação é a incrível “Butterfly”. Muitos de vocês, assim como eu, conheceram a mesma com Diego (Damasceno, o compositor) & Dilyel (Fred Liel). A canção foi completamente renovada, com arranjo intimista, e uma interpretação incrível do Luan.

E, por fim, a surpreendente participação da atriz Camila Queiroz. Com arranjos de viola caipira, “Amor de Interior” finaliza o álbum com gosto de quero mais.

Dê o Play no álbum “1977” logo abaixo. Sem dúvida alguma, um forte candidato ao melhor disco do ano.

A direção do DVD é de Joana Mazzucchelli.

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