Vamos falar da “Dona Maria”?
09/11/2017

O último lançamento de Thiago Brava, “Dona Maria” (Thiago Brava / Lucas & Thiago), reposicionou o cantor no mainstream. Em poucos dias, a canção soma mais de 20 milhões de views no YouTube e está entre as 15 mais executadas do Spotify (com quase 3 milhões de plays e ocupando espaço nas maiores playlists da plataforma).

Os números comprovam o sucesso. A participação do Jorge (do Mateus) também somou muito na canção. Mas, nada do que falei até aqui é novidade. Algumas outras curiosidades explicam (ou tentam explicar) tamanho sucesso da canção.

O Thiago sempre apostou em algo mais voltado ao comercial, e de fato conseguiu durante muito tempo se manter no mercado com canções que tinham esse papo viral (“180, 180, 360”, “Namora, Bobo”, e etc). O cantor é publicitário, entende muito bem dessa linguagem “atual”, e acertou ao apostar nesse formato para dar os primeiros passos na carreira.

Feito isso, os anos de estrada e o amadurecimento musical possibilitaram o cantor a gravar algo que ele realmente se identificasse. Um som mais pop, muitas vezes com influências de gêneros distantes da música sertaneja, como o rap nacional (no último DVD do Thiago, gravado em Goiânia, o cantor fez pelo menos duas releituras de canções desta nova cena do Rap Brasil). Já a bola da vez, “Dona Maria”, é um mix de reggae com sertanejo.

E por falar nela, “Dona Maria” é um baita som gostoso de ouvir. Mas, foge de todos os “padrões” do mercado, e isso desperta curiosidade.

Começa com o fato de uma música se tornar um grande sucesso nacional (principalmente nas plataformas digitais) sem o apoio das “principais gravadoras”. Thiago apostou na “independente” MM Music, do compositor e empresário Maurício Mello, que quebrou diversos paradigmas e vêm conseguindo números completamente expressivos no digital.

Outro fato que vai à contramão do mercado, é a produção da canção: nada além de voz e violão. E tem mais… A “Dona Maria” agrega num álbum que se chama “Um violão e uma catuaba”. E, literalmente, o cantor toca, canta, e toma catuaba durante as 05 canções do projeto, que é encabeçado pelo hit em questão (“Dona Maria”).

Thiago Brava, mais do que nunca, foi ousado (e até despretensioso, perto da enorme proporção que seu novo projeto tomou). E isso é uma das coisas que mais faltam no cenário sertanejo atual.

Faltam aos artistas gravarem aquilo que realmente gostam. Faltam artistas apostarem nas próprias letras, na aquilo que realmente acreditam.

Thiago retomou uma posição no mercado que ele havia perdido há muito tempo. E ele fez isso com apenas uma canção autoral, um violão e uma catuaba.

Para encerrar, eu pergunto a vocês, artistas que estão lendo este post. Até quando vocês vão continuar estacionados, aguardando investidores e contratos milionários com escritórios/gravadoras? Até quando?

Bem, o Thiago Brava, com apenas um violão e uma catuaba, provou sim que dá pra ir longe sem todos esses requisitos. Agora é com vocês.

Dona Maria:

Um Violão e Uma Catuaba: